Por que a Lua muda de fase? Entenda o que você vê no céu
Uma noite, a Lua parece um disco completo. Em outra, vira um arco fino. Quem gosta de aventuras espaciais pode levar essa curiosidade para fora da tela: o céu oferece um quebra-cabeça que dá para acompanhar de casa. Para começar, vale separar três perguntas: qual parte está iluminada, qual parte conseguimos enxergar e onde está o Sol nessa história?
A luz vem do Sol
A Lua reflete a luz solar. Fora dos eclipses, o Sol ilumina aproximadamente metade dela. Enquanto a Lua percorre sua órbita, muda a porção dessa metade iluminada que vemos da Terra. É isso que produz as fases: a Lua continua inteira, mesmo quando só enxergamos uma pequena faixa brilhante.
Quatro momentos ajudam a acompanhar o ciclo:
- Lua nova: a face voltada para nós está predominantemente sem iluminação solar direta.
- Quarto crescente: vemos metade do disco iluminada, e a parte clara aumenta nos dias seguintes.
- Lua cheia: a face que enxergamos aparece praticamente toda iluminada.
- Quarto minguante: voltamos a ver metade do disco iluminada, agora diminuindo.
A mudança é contínua. Entre o quarto e a cheia, a forma é chamada de gibosa: mais da metade do disco aparece clara. Um ciclo de Lua nova a Lua nova dura, em média, cerca de 29,5 dias. A explicação das fases da NASA mostra essa sequência.
Fase e eclipse são coisas diferentes
A borda escura de uma Lua crescente não é a sombra da Terra avançando sobre ela. Um eclipse lunar acontece quando a Terra fica entre o Sol e a Lua e sua sombra atinge a superfície lunar. Isso só pode ocorrer na fase cheia.
Então por que não temos um eclipse a cada Lua cheia? A órbita lunar é inclinada em relação ao plano da órbita terrestre. Na maior parte dos meses, a Lua passa acima ou abaixo da sombra. O alinhamento necessário só aparece em determinadas ocasiões.
No eclipse solar, a disposição muda: a Lua passa entre nós e o Sol, e sua sombra atinge uma região da Terra. Ele só ocorre na Lua nova. Veja os alinhamentos na página Por que os eclipses acontecem, da NASA.
Por que a Lua pode ficar avermelhada num eclipse?
Durante um eclipse lunar total, parte da luz solar atravessa a atmosfera terrestre antes de chegar à Lua. A atmosfera espalha mais a luz azul e deixa passar mais dos tons vermelhos e alaranjados nesse percurso. Por isso a Lua pode ganhar uma coloração de cobre.
A aparência varia conforme as condições da atmosfera, incluindo poeira e nuvens. A expressão popular “Lua de sangue” descreve essa cor; não significa que a Lua mudou de composição. A NASA detalha o fenômeno em Eclipses e a Lua.
A Lua também aparece durante o dia
O céu claro não impede que a luz refletida pela Lua chegue aos nossos olhos. Quando ela está acima do horizonte e há contraste suficiente, podemos enxergá-la de dia. Não é um acontecimento exclusivo de uma fase rara.
Outra dúvida comum aparece ao comparar fotos feitas em lugares diferentes: a orientação do desenho pode mudar. Observadores em hemisférios opostos veem a mesma fase, mas com orientações diferentes. Por isso, decorar apenas “lado direito” ou “lado esquerdo” a partir de uma imagem da internet pode confundir.
Também vemos aproximadamente a mesma face lunar porque a Lua gira sobre si mesma no mesmo tempo em que completa uma volta ao redor da Terra. Isso não cria um lado permanentemente escuro: o lado afastado de nós também recebe luz solar. Essas dúvidas estão nas perguntas sobre a Lua respondidas pela NASA.
Um desafio de observação para fazer em casa
Você pode montar um pequeno diário, como se fosse o registro de uma missão espacial. Não precisa tirar uma fotografia perfeita. O objetivo é comparar suas próprias observações e descobrir quais perguntas surgem quando você presta atenção ao mesmo objeto em dias diferentes.
- Prepare uma página por observação. Anote a data, o horário e o lugar de onde olhou. Escolha um local seguro, sem precisar subir em muros ou se inclinar para fora de janelas.
- Desenhe o que realmente viu. Faça um círculo e marque a parte clara. Se não conseguir distinguir um detalhe, registre essa dúvida em vez de completar o desenho de memória.
- Anote as condições. Havia nuvens? Um prédio cobria parte do céu? Você viu a Lua com facilidade ou precisou procurar? Não encontrar a Lua também pode entrar no diário.
- Compare os registros. Depois de algumas observações, coloque os desenhos lado a lado. A região iluminada parece aumentar ou diminuir? A orientação ficou igual? Você observou sempre no mesmo horário?
- Confira a explicação. Volte às fontes e relacione suas anotações às fases. Se faltar uma observação, deixe a lacuna identificada; um desenho consultado deve ficar separado do que você viu pessoalmente.
Se fizer a atividade em família, cada pessoa pode desenhar antes de comparar as respostas. Assim, as diferenças viram perguntas para a próxima observação. Evite transformar o diário numa competição de acertos: uma anotação honesta e incompleta é mais útil do que um registro bonito feito por adivinhação.
Continue a viagem pelo espaço
No Jogali!, você também pode ler sobre os anéis e as curiosidades de Saturno e a exploração de Marte por robôs. Para a parte da brincadeira, conheça a aventura espacial no guia de Órbita. As fontes científicas deste artigo estão nos links da NASA ao longo do texto, para você continuar investigando cada assunto.